História

Localização da Paróquia da Barosa
A freguesia da Barosa está situada junto à confluência dos rios Lis e Lena, recostada na sua margem esquerda sobre um pequeno monte entre as cidades de Leiria e Marinha Grande e faz fronteira com a cidade de Leiria e as antigas freguesias de Barreiros, Sismaria da Gândara, Parceiros e Albergaria.
Nos censos de 1998, a população da freguesia rondava os dois mil habitantes distribuídos pelas localidades de Ponte das Mestras e Belo Horizonte, Pousadas, Moinhos da Barosa, Vale do Frade, Picheleiro, Pinhal Manso, Sobreiro, Carreira de Água, Vale da Arieira, Cabeças Redondas e Barosa.


Tem uma área de 1 255 ha e é atravessada pela estrada n.º 242 que liga Leiria à Marinha Grande.
Tem por coordenadas de GPS: N 39o 44’ 40.808’’ e W 8o 50’38.996’’  (Cruz, F. e Reis, O., 2019, p. 24)

Breve História da Fé e  Culto Religioso

1. A Reconquista Cristã - D. Afonso Henriques e o povoamento de Leiria

D. Afonso Henriques foi o grande estratega do povoamento do território de Leiria que, à medida que conquistava «a terra despovoada, erma e bravia» (GOMES S., 2004, p.24) aos muçulmanos se preocupava em povoá-la como forma de a proteger de novos ataques. Mesmo antes de ser reconhecido oficialmente como rei de Portugal, Afonso Henriques distribuiu muitas das terras conquistadas pelos oficiais que mais se destacaram e pelas ordens religiosas, criando os concelhos e dando-lhes autonomia. Leiria recebeu carta de foral em 1142 com um conjunto de orientações para a sua autonomia e gestão. Muitas das terras da localidade da Barosa foram distribuídas por ordens religiosas e também por vários heróis militares, como referimos, na parte I – História da Barosa do livro ”Uma Viagem pela Barosa”.

A fé de D. Afonso Henriques e dos povoadores por ele escolhidos deixaram marcas de uma profunda religiosidade nos habitantes da Barosa e, naturalmente, esta fé foi-se transmitindo nas formas de viver e celebrar a vida até aos nossos dias.

2. A Fé move montanhas e agrega o povo
A vida religiosa na nossa localidade remonta assim à idade média. Algumas terras da Barosa, como já foi enumerado, na primeira parte do Livro “Uma Viagem pela Barosa” pertenceram a várias instituições religiosas: mosteiro de Alcobaça, mosteiro de Santa Cruz e Santa Clara de Coimbra e mosteiro de Arouca e mosteiro de São Domingos de Évora.               

Num outro documento de 1758 (GOMES, S., 2009, pp.164-166), o padre José Ferreira dos Santos escreveu sobre a antiga igreja de S. Mateus da Barosa:

«Esta igreja hé antiga, emquanto a ser capela do seu orago S. Matheus, subjeita de seu principio a antiga igreja e freguesia que então hera de S. Pedro, intra muros desta cidade de Leiria, pegada ao Palácio Episcopal, e crescendo o povo e deixando a dita igreja dessa Freguezia della se despediram ao menos três filhas: Azoia, Paraceiros e esta que por ter nesse tempo os moradores mais abonados não se sujeitaram à vontade dos Prelados a serem freguezes dos Paraseiros…e regeram sua Freguezia, ficando tudo à sua custa, sem ajuda alguma, com que ficarão obrigados á sustentaçam do seu cura (…) e ahinda que seja pequena esta igreja como hera capella, he toda por cima bem pintada no seu apainelado. Consta de três altares, hum de Nossa Senhora do // [Pág. 314] Rozario e outra de Santo António, o maior o seu orago S. Matheus, ao lado do Sacrário, decentemente, cujas Confrarias por serem pobres andam unidas a Fabrica da Igreja; não tem rendas, senão a esmola dos seus moradores (…) E como o Reverendo Cabido da Sée desta cidade de Leiria se faz senhor destas (…) recebem as ofertas, oblatas e officios té setenta mil réis, sendo asim ténue no lucro e custosa no trabalho…» .

Relata-nos também outros testemunhos da religiosidade do nosso povo, por exemplo: «Posto que este povo seja pobre, he observante da Lei de Deus. E mui devoto, posto ser gente muito nova (…)», e ainda em relação ao seu contributo para a manutenção do culto diz «Fogo inteiro dá de pensam ao cura alqueire de trigo e coartam de vinho e meio fogo dá meio de tudo. Folar anda por dez mil reis porque não só sam muito pobres».

Em 1721, Brás Raposo da Fonseca, provedor da Comarca de Leiria, referiu a existência de outra ermida de Nossa Senhora da Guia no lugar dos Moinhos da Barosa. Infelizmente, esta foi totalmente arrasada com as cheias cerca do ano de 1750, conforme nos informa o padre José Ferreira dos Santos, e diz-nos ainda que esta capela era particular, junto à Ribeira dos Moinhos e pertencia a uns nobres e havia três irmãs uma das quais era religiosa de S. Domingos. Eles ouviam missa de dentro de casa e pagaram ao capelão enquanto foram vivos. Tal como se pode verificar no extrato seguinte:

«Há quinze annos a esta parte escavadas das ditas agoas cahiram humas cazas ao Doutor António Alves, solteiro, secular formado (…). E tãobem cahiram ahi de todo humas grandes cazas de huns nobres e outros (…), à três irmans huma religioza parese de S. Domingos (…) e estes tinham pegado com as suas cazas huma sua capela, seu orago era Nossa Senhora da Guia. E emquanto foram vivos tinhão capelam a quem pagavam, ouvião missa de dentro de caza, porque entre ela e a capella se metia (…) o caminho público. (…) haverá para oito anos se arrazou toda a dita capella sem lhe ficar nada nem alicerce(…)» (GOMES, S., 2009, p.165)

O padre Luís Cardoso em 1751 (p.52), relata também a existência de uma ermida de Nossa Senhora da Guia.
Segundo os documentos, em 1609, o povo da localidade da Barosa edificou uma ermida em honra de S. Mateus para administração dos sacramentos com imagem de vulto do seu padroeiro.





Esta ermida, mais tarde, em 1713, passou a igreja paroquial. O primeiro cemitério estava situado no adro da igreja.
Em 1751, o padre Luís Cardoso no «Dicionário Geográfico» faz a descrição pormenorizada da antiga igreja existente na Barosa e que corresponde à igreja representada nesta fotografia.

“… A Paroquia está dentro no Lugar, com seu adro murado, em um rocio plano; tem uma só nave e três Altares, no mayor está a Imagem de S. Mattheus, Orago da Casa, no meyo está o Sacrário, e da parte esquerda Huma Imagem da Senhora do Rosário, que se costuma levar nas Procissõens; nos altares colaterais da parte da Epistola está a Imagem da Senhora do Rosário, com cujo patrocínio tem este povo experimentado muitos prodígios, como dão a conhecer os painéis e ofertas pendentes pela parede, junto do mesmo Altar; da parte do Evangelho está o de Santo António. Nestes Altares há cinco confrarias, a saber; o Santíssimo Sacramento, S. Matheus, Nossa Senhora do Rosário, S. António, e das Almas…”

Mais tarde, em 1950-55, esta ermida sofreu grandes obras de beneficiação sob a orientação do arquiteto Camilo Korrodi que transformaram tanto o seu aspeto interior como exterior e aumentaram-lhe  a superfície e a  altura. 



Igreja paroquial da Barosa após as obras de beneficiação  de 1950-55  até 1995

Apesar destas e de outras alterações que se foram fazendo ao longo dos anos, a descrição do padre Luís Cardoso ainda permite relembrar muitas das memórias que a nossa geração guarda da sua infância. Apresentamos, a seguir, várias fotografias guardadas no arquivo paroquial da igreja em 1995 onde se pode ver que apesar das alterações introduzidas e que, naturalmente, modificaram o aspeto interior e exterior da igreja, essas fotografias associadas às descrições ajudam a recordar muitas das memórias da antiga igreja entre 1955 e 1995.


A seguir apresentamos um conjunto de fotografias de 1995, antes da demolição da igreja para fazer a reconstrução da atual no mesmo sítio da anterior.




2.1. Marcas de fé através dos tempos
Hoje, podemos ainda encontrar várias marcas da fé do nosso povo através dos tempos, observando quadros, azulejos, esculturas, livros, santinhos e outros objetos da devoção religiosa que as pessoas guardam e têm expostas em fontanários e em casa, quer no seu interior quer no exterior (…) (Cruz,F.e Reis, O.,2019, p.235)
No interior das casas é possível ver muitos testemunhos desde os mais ricos aos mais modestos:
 



2.2 As Confrarias
As confrarias são grupos de leigos católicos que se associam, geralmente pela vizinhança ou outras afinidades religiosas ou sociológicas, para promover alguma devoção, o culto a um santo ou como forma de apoio em situações de vulnerabilidade.
Há uma nota curiosa no

«No logar da Barroza(28) havia uma como a de Regueira de Pontes, tinha mais por obrigação dar de comer dos bens do defunto aos confrades que o acompanhavam e não lh’o dando não eram obrigados a rezar-lhe as orações que é costume; o que se emendou na visita de 1542; tinha renda e ainda se conserva a confraria.».

Recordamos como o rito dos funerais nos anos de 1960-70 ainda conservava tradições bem diferentes de hoje. O defunto ficava na sua própria casa e era aí que se fazia o velório e se juntavam a família, amigos e vizinhos. Além da dor e da tristeza próprias destes momentos, as pessoas choravam muito e rezavam durante muito tempo mantendo-se ali todo o dia e toda a noite. Havia sempre familiares ou vizinhos que traziam comida para todas as pessoas que acompanhavam o velório, talvez assemelhando-se um pouco a esta antiga tradição.
Nalguns documentos antigos há referência de várias confrarias: de S. Mateus, do S. S. Sacramento, de Nossa Senhora do Rosário, de Santo António e dos Defuntos, mas que por serem pobres andavam unidas à fábrica da igreja. Entre 1657 e 1721 parecem existir três confrarias, divergindo na sua designação. As primeiras três são: a dos Defuntos, de S. Mateus e do S. Sacramento, mas a seguir, em 1721, não é referida a dos Defuntos, nem a de S. Mateus, mas fala-se da Confraria de Nossa Senhora do Rosário e de Santo António. (GOMES,S.,2009 pp. 157,164)
O padre Luís Cardoso (1751,p.52) numa descrição pormenorizada do interior da igreja já referiu a existência de cinco confrarias: «Nestes altares há cinco Confrarias, (...) o Santíssimo Sacramento, S. Matheus, Nossa Senhora do Rosário, Santo António e das Almas.»
O padre Luís Cardoso (1751,p.52) numa descrição pormenorizada do interior da igreja já referiu a existência de cinco confrarias: «Nestes altares há cinco Confrarias, (...) o Santíssimo Sacramento, S. Matheus, Nossa Senhora do Rosário, Santo António e das Almas.».
Analisando o livro de atas das confrarias da freguesia, verificámos que a 30 de Março de 1794, a pedido dos juízes das irmandades das confrarias: das Almas, de S. Mateus, de Santo António, de Nossa Senhora do Rosário e do Santíssimo Sacramento, todas elas da freguesia da Barosa, e com a anuência do Bispo, foi decidido, depois de acordados os diferentes termos, extinguir a confraria das Almas, a confraria de S. Mateus, a confraria de Santo António e a confraria de Nossa Senhora do Rosário e anexar e incorporar os bens, assim como as responsabilidades das referidas confrarias numa só, a do SS. Sacramento. Estas decisões ficaram lavradas em ata pelo escrivão da Câmara Episcopal Doutor José Joaquim Duarte Amado, conforme poderemos observar na… referida ata.

Fundem-se, desta forma, as várias confrarias numa só: 
Mais tarde, a festa principal passa a ser celebrada em honra do padroeiro, S. Mateus, no dia 21 de Setembro.

2.3 Outras Associações Religiosas

Associação do Apostolado de Oração

Surgiu na paróquia da Barosa, em 1926, uma nova associação religiosa, o Apostolado de Oração, que teve a sua origem num colégio da Companhia de Jesus, em Vals, França, tendo como principal objetivo a santificação pessoal e evangélica através da oração diária e da participação ativa dos cristãos no seu ambiente e na comunidade, de modo a promover os valores cristãos. A associação criou a sua própria bandeira que faz parte do património da igreja.

Ação Católica

Nos arquivos da paróquia encontrámos registos de uma outra associação: a

A Ação Católica Portuguesa foi uma inspiração resultante do Concílio Vaticano II, fundada pelo cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira em 1933, de modo a estimular a participação dos leigos na igreja e fomentar os valores cristãos na sociedade. Foi extinta formalmente em 1974, embora continuem a existir movimentos da Ação Católica que funcionam autonomamente e com propostas específicas de acordo com a profissão ou ocupação dos seus associados.

               

Bandeira do Apostolado de oração          Fotografia de um cartão da A C P.

2.4  O Povo Constrói a sua Ermida – luta pela autonomia

O Couseiro (1989, pp.37-38) informa-nos ainda que a primeira ermida da Barosa foi feita pelos moradores do mesmo lugar, no ano de 1609, em honra de S. Mateus, para a administração dos sacramentos. Os moradores a fabricaram e os vizinhos e alguns devotos tinham Confraria do Santo, que é de vulto, havia outra (Confraria) do Santíssimo Sacramento e outra dos Defuntos.

Podemos ver através dos relatos do cura Jozé Ferreira dos Santos, a 15 de Abril de 1758 (GOMES, S., 2009, pp. 164-166), que a autonomia da paróquia nem sempre foi pacífica: 

«Esta igreja é antiga, enquanto a ser capela de seu orago S. Matheus, subjeita de seu princípio à antiga igreja e freguesia que então hera de S. Pedro, intra muros desta cidade de Leiria, pegada ao Palácio Episcopal, e crescendo o povo e deixando a dita igreja desta Freguezia, della se despediram ao menos três filhas: Azoia, Paraseiros e esta que por ter nesse tempo moradores mais abonados, não se sujeitaram à vontade dos Prelados a serem freguezes dos Paraseiros… e regeram sua Freguezia, ficando tudo à sua custa, sem ajuda alguma, com que ficaram obrigados à sustentaçam do seu cura, que apresentão causa de dezordens, ficando este quazi como subjecto à vontade de seus freguezes».

Em 1721,… o lugar dos Moinhos tem uma ermida de Nossa Senhora da Guia» (ibidem p.157)

Diz-nos ainda que embora sendo uma capela particular tinham um capelão que vinha ali celebrar missa e os seus donos ouviam a missa de sua casa porque entre a capela e a sua casa existia apenas o caminho.

3. Assistência Religiosa da Repartição da Barosa

3.1 A importância dos padres

Grande parte das comunidades e freguesias do nosso país cresceram ligadas à vivência da fé. Fazia parte dos elementos identitários de cada comunidade a construção de um lugar de culto como referência que inclusivamente muitas vezes dava nome à própria localidade. Este elemento, para além de ser uma referência espiritual, era muitas vezes expressão da dimensão da comunidade e da sua capacidade financeira, erigindo templos maiores ou menores consoante as suas possibilidades.

Para além desta referência arquitetónica, havia também nas comunidades uma referência pessoal no padre que a assistia espiritualmente e que muitas vezes era também, fruto da sua formação superior, quem apoiava a comunidade na gestão dos assuntos mais terrenos.

Na Barosa a situação não foi diferente. Já foi descrita a evolução da construção e remodelação da igreja, acompanhando o crescimento da comunidade. Mas, por outro lado, também ficou, ao longo da história, a marca de sacerdotes que serviram a comunidade e lhe foram dando os meios espirituais e materiais que sustentassem o seu crescimento.

Não nos foi possível identificar o nome dos sacerdotes que serviam a Barosa como “capelães” antes da criação da paróquia (1713).

No entanto, com base nos assentos de batismo, pudemos preencher a sucessão contínua de párocos que serviram a Barosa desde 1756 até aos nossos dias. Em cada momento da história, cada um destes sacerdotes assumiu um papel preponderante em vários aspetos. O padre era a figura mais próxima do povo, quem tinha melhores condições para ajudar as populações mais simples a olhar o mundo com um olhar diferente, devido à sua formação, aos ambientes que frequentava e às relações que mantinha, tinha muitas vezes o poder de influenciar decisões essenciais para o bem-estar das populações. Mas até mesmo esta sua função decorria da sua missão primeiramente espiritual que era mais evidente no cuidado com a vida espiritual das pessoas, administração dos sacramentos, catequese ou doutrina, devoções de piedade e formação.

Alguns sacerdotes, pelos documentos, relatórios e outros escritos, foram transmissores de informação histórica fundamental para o conhecimento da evolução da comunidade da Barosa. Outros deixaram a sua marca dedicando-se à defesa, melhoramento e ampliação do património edificado. Todos certamente que deixaram a sua marca na vida de cada pessoa a quem ofereceram a possibilidade de crescer na fé e na confiança em Deus e essas referências não ficam registadas em livros nem em documentos escritos.

3.2 Autonomia da Paróquia

A função do Pároco na Junta da Paróquia

Para além daquelas funções eminentemente espirituais (“cura de almas”), os párocos da Barosa assumiram também em determinadas fases da história, a condução dos destinos da comunidade ao nível administrativo civil (presidentes da “Junta da paróquia”), confundindo-se muitas vezes os âmbitos administrativo civil e o âmbito religioso espiritual. Por exemplo, os fins das atividades e dos bens das confrarias reforçam essa mesma ideia. As atas da junta de paróquia que consultámos e que citamos largamente neste trabalho demonstram essa mesma relação. Muitos párocos eram simultaneamente “presidentes da Junta de Paróquia” e foram grandes promotores do desenvolvimento da Barosa.

A razão para esta afinidade e coincidência de funções tem a ver com a impossibilidade de desconectar as origens das comunidades do seu âmbito religioso; mas também pelo facto de muitas vezes e nalgumas épocas, o pároco ser a pessoa mais bem preparada para conduzir os destinos da comunidade.

No entanto, as mudanças políticas e ideológicas predominantes no país fizeram alterar esta configuração, e de uma forma definitiva com a implantação da república em 1910.

A partir desta altura, os párocos passaram a assumir o seu papel de condutores espirituais das pessoas e da comunidade e as suas preocupações administrativas reduziam-se ao seu âmbito eclesial.

3.3 Lista dos párocos de 1713 a 2018

Data

Pároco

1756

Manuel de Souza

Em 3 de abril assina o inquérito acerca dos efeitos causados pelo terramoto de 1755.

1758

Jozé Ferreira dos Santos

Assina a Memória paroquial de S. Mateus da Barosa, in Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas em 15 de Abril

1794

Jose Joachim Duarte Amado

Data do primeiro registo de batismo a que tivemos acesso com a sua assinatura.

1795-1799

Manuel Ferreira

1799-1800

Manuel Duarte de Soiza

1800-1805

Rufino Joze da Fonseca

1805-1811

Joze Pedroza dos Santos

1811-1814

Antonio Bernardino

1814-1829

Joze Diogo Cobas (da Silva)

Em 1829 passou a ser o pároco de Marrazes, tomando o lugar do padre Joaquim José de Azevedo, que o sucedeu na Barosa.

1829-1832

Joaquim José de Azevedo

Foi um impulsionador da construção da igreja paroquial dos Marrazes. Depois da sua construção, saiu dos Marrazes para a Barosa. Quem o sucedeu na paróquia dos Marrazes foi o padre Joze Diogo Cobas da Silva, seu antecessor na Barosa.

1832-1834

Joze Pedroza

De janeiro a maio/junho de 1834 os assentos de batismo estão assinados por outros padres com a indicação “em ausência do Parocho”

1834-1846

Manuel de Freitas

1846

Luiz Joze da Maria

Nos assentos de Baptismo de 16 e de 19 de abril de 1846 assina como “O Cura interino”

1846-1847

Francisco Gomes dos Santos

1847-1849

António Joze dos Santos

1849-1850

Justino Ferreira Guedes

1850-1851

Paulo da Silva e Costa

1851-1854

António d’Oliveira

1854-1855

António Joze Luiz

Assina como O Encomendado

1855-1858

António d’Oliveira

Volta a assumir a paroquialidade efectiva.

1858-1861

José Carreira Frazão

1961-1866

Joaquim da Fonseca Portugal

1866-1869

António Alves Ferreira

1869-1870

José Velloso da Silva e Vasconcellos

1870-1877

Ezechiel Ferreira Marques

Sepultado no cemitério da Barosa

1877

Francisco da Joana Reis (?)

Em julho assina: a impossibilidade do parocho encarregado da freguesia, o parocho interino.

1877-1888

José Ignacio d’Assumpção

1888

Joaquim Ribeiro

Nos batismos do mês de Julho assina como: O Parocho interino

1888-1891

António Pereira d’Oliveira

Não é possível confirmar se seria o mesmo pároco entre 1855-1858, apesar da assinatura ter semelhanças

1891-1896

João Lopes Gomes Júnior

De acordo com as actas da Junta de Paróquia foi quem libertou os bens da paróquia da “praça pública”.

1896-1897

Bellarmino d’Almeida Ferreira

1897-1902

Tito Cardoso da Silva

1902-1903

Cândido Augusto de Sousa

1903-1908

António dos Santos Alves

1908-1909

Francisco d’Oliveira

1909-1956

José Augusto Nunes

Surge identificado como parocho colado na relação nominal dos párocos e coadjutores elaborado Comissão de Pensões Eclesiásticas do Distrito de Leiria em 17 de maio de 1911.

Foi o pároco da Barosa durante mais tempo.

Sepultado no cemitério da Barosa

1956-1967

Fernando de Oliveira Jorge

1967-1973

José Carreira

1973-1985

António Ramos

1985-1986

Manuel de Almeida Baptista

1986-1990

Manuel Luís Maço

1990-1993

João Pereira Feliciano

1993-2003

Augusto Gomes Gonçalves

2003-2011

David Rodrigues Barreirinhas

2011-2013

Jorge Domingues Oliveira

2013-

André Antunes Batista

De entre os párocos que referimos desde 1756, destacamos aqueles de que há memória viva na Barosa e que aqui paroquiaram no século XX.

 

        Padre José Nunes (Cortesia de Lurdes Fernandes)

O padre José Nunes, a quem foi concedido o nome de uma rua, na zona das Hortas: travessa Padre Nunes, foi o pároco que mais tempo esteve na Barosa, tendo passado aqui as vicissitudes da implantação da república. Era proprietário de uma quinta cuja configuração ainda se pode ver e cuja história é relatada neste trabalho. O local onde neste momento se encontram o salão, a casa paroquial, as salas de catequese e o parque da igreja faziam parte dessa quinta. Foi um homem que marcou a Barosa em vários âmbitos da sua vida pastoral e social.


Padre Fernando Jorge na festa de Natal da escola primária – Foto de Joaquim Serrano

O padre Fernando de Oliveira Jorge desenvolveu um trabalho de agregação dos jovens, promovendo atividades como teatros e outras manifestações artísticas e culturais que mexiam com a comunidade e reuniam os jovens, numa época em que as ofertas de diversão eram reduzidas. 


Padre José Carreira na profissão de fé (1973) – Foto de Joaquim Serrano

O padre José Carreira foi o responsável pela construção da nova casa paroquial. A residência onde viviam os párocos estava degradada e, localizada numa zona muito húmida, era necessário encontrar uma nova solução para acolher os párocos. O padre José Carreira constituiu uma comissão para levar a cabo este empreendimento. No arquivo paroquial há documentos que referem a reprovação por parte da diocese do projeto inicial por considerar que a casa não deveria ficar junto da linha de água. Acabou por construir-se a atual casa paroquial que neste momento não é habitada, servindo como espaço de atendimento, de reuniões e de apoio à pastoral juvenil e outras.

Pe António Ramos - Festa de S. Mateus 2017

O padre António Ramos, falecido em 2017, foi um homem recordado pelo seu otimismo e grande preocupação com a formação cristã da comunidade. Renovou a catequese promovendo a formação de catequistas e construiu a “casa da catequese”, o edifício com 9 salas de catequese e um salão no rés-do-chão. Em setembro de 2017 veio presidir à Missa da festa de S. Mateus e contou que quando chegou à Barosa não tinha nenhum homem na Missa, tomando isso como um desafio. Contou que a revolução do 25 de abril de 1974 foram tempos difíceis na paróquia, mas também antes, tendo sido acusado de sublevação por reunir os jovens na cave da casa paroquial.


Bênção dos vitrais da Capela do Santíssimo (Festa de S. Mateus 2015)

Seguiram-se outros sacerdotes que deixaram a sua marca sobretudo ao nível pastoral e espiritual. No entanto, destacamos o padre Augusto Gonçalves como o grande mentor da construção da nova igreja da Barosa, conforme testemunho na primeira pessoa que transcrevemos no livro “Uma Viagem pela Barosa pp. 215-220”.

3.3 O Cruzeiro


O cruzeiro antigo em pedra branca onde estavam gravadas as datas de 1140, 1640 e 1713 encontrava-se do lado sul da antiga igreja

(…) Através das atas da Junta da Paróquia, descobrimos que na reunião de 5 de maio de 1907, foi deliberado contratar particularmente com Ernst Korrodi, arquiteto de Leiria, o ajuste de um cruzeiro de pedra branca e seu pedestal e com o respetivo assentamento no cemitério paroquial pela quantia de 15$500 réis, que foi fornecido e assente no cemitério em outubro de 1907.

Levantou-se-nos então uma dúvida: qual seria o “cemitério novo” a que se referem as atas e onde foi colocado o cruzeiro de 1907? 

Após várias pesquisas, verificámos que o cemitério mais recente, no Sobreiro, só foi inaugurado em 1950, por conseguinte, este cruzeiro não poderia ter sido posto lá em 1907.

Parece-nos, por isso, que o cruzeiro a que se refere a ata de 5 de maio de 1907 é o cruzeiro que estava junto à igreja, até porque, passados apenas seis anos, na reunião a 15 de junho de 1913, o presidente da Junta apresenta um ofício do Sr. Administrador do Concelho proibindo que se continuem a fazer enterramentos no novo cemitério, com base no parecer do Subdelegado de Saúde, recomendando que se voltem a fazer os enterramentos provisoriamente no antigo cemitério. Sendo assim, esta parece ser a razão da sua construção neste lugar.

Em 1907, o cemitério teria sido alargado para a zona do adro do lado sul da igreja, com o cruzeiro, mas devido às águas das chuvas que se acumulava ali, tornando o local impróprio para os enterramentos acabou por ser proibido pelo subdelegado de saúde seis anos depois, e escolhido novo lugar para construir o novo cemitério. Ali, ficou apenas o cruzeiro.

As datas inscritas no antigo cruzeiro despertaram também a nossa curiosidade. Porquê 1140, 1640, 1713?  ( CRUZ, F., REIS, O., 2019, p. 181) .

O cruzeiro era “um documento vivo” com a data da elevação da Barosa a freguesia. Mas, assim como muitos documentos em papel não sobreviveram às invasões francesas, também o cruzeiro não sobreviveu quando foi danificado…, durante as obras da reconstrução da nova igreja em 1995.

 Em seu lugar está, hoje, uma réplica onde foram gravadas todas as inscrições existentes no antigo cruzeiro. Foi ainda acrescentada a nova data de 2000 que corresponde à inauguração da igreja atual, reconstruída no local da anterior (…)  ( pp. 180-189)

 


3.4 A Nova Igreja

2000 - Assinala a data da reconstrução da igreja atual.

Nesta reconstrução foi integrada a torre e a fachada nascente da antiga igreja, em memória da igreja anterior.


Ao contrário das obras de beneficiação feitas em 1950 em que se manteve a mesma estrutura interior, agora demoliu-se a igreja e fizeram-se novas fundações, mantendo apenas a torre e a antiga entrada principal. A estrutura interior e exterior também foram profundamente alteradas e ganharam mais espaço, luz e comodidade.

A entrada principal estava virada para a cidade de Leiria, os campos e o rio Lis. Esta entrada passou a entrada lateral.

O local onde estava a entrada lateral transformou-se na entrada principal que ficou virada para o coração da freguesia e para a estrada da Barosa - Moinhos da Barosa. Os altares e a pia batismal trocaram igualmente de posição. Os altares foram colocados em frente à nova entrada principal. Foi construída uma capela do Santíssimo Sacramento do lado esquerdo da igreja, onde habitualmente se celebra a missa ferial. Á esquerda do altar principal, está o altar do Sagrado Coração de Jesus e a pia batismal; à direita está o altar de Nossa Senhora de Fátima e um espaço reservado para o grupo coral. A seguir à capela do Santíssimo Sacramento, encontra-se a sacristia, as casas de banho e o acesso a duas salas do primeiro andar. Na antecâmara da entrada principal há ainda duas salas de arrumos, uma de cada lado.

A construção da nova igreja incluiu uma nova torre, onde foi colocada uma cruz em inox que é uma peça original desenhada pelo escultor Fernando Marques e executada por Joaquim Fernandes que evoca a Ressurreição de Cristo.

             

Inauguração da igreja no dia 16 de abril de 2000 pelo  sr. Bispo D. Serafim Ferreira da Silva

Como testemunhou o pároco de então, Pe. Augusto Gonçalves «… Após a aprovação do projeto da nova igreja, foi preciso constituir uma comissão executiva para, em complementaridade e corresponsabilidade com o Conselho Económico Paroquial,… iniciar a construção.

Duas das … grandes preocupações iniciais foram: onde ficaria a celebrar-se todo o culto provisoriamente e o local fechado onde … fazer festas, almoços e outros eventos para angariar fundos.

Houve consenso nas duas questões: quanto ao espaço que iria servir de igreja foi de imediato apontado o salão por baixo das salas de catequese, que nessa altura estava ainda em tosco, quer o chão quer as paredes e o teto (…).     

Os dois espaços foram preparados e construídos num breve espaço de tempo.


  

Salão da catequese foi transformado em espaço de culto; Construiu-se um salão para eventos